Seja Bem-Vindo
Há tempos não vejo um luar tão bonito. Daqueles que dá vontade de se debruçar da sacada e ficar assistindo-o, como se fosse algum tipo de espetáculo. A lua está tão grande, maior do que eu me lembrava, e posso perceber uma umidade refrescante no ar, embora seja uma noite quente. É realmente uma pena pensar que um lugar tão bonito seja tão pouco desejado, e é tolice pensar que alguém poderia desejar estar num lugar como este. Todos preferem o berço e cova de seus próprios mundos.
O que posso dizer? É o que acontece quando você deixa de viver a sua vida hoje para vivê-la no passado, onde tudo era diferente. Você simplesmente se deixa levar pelos pensamentos de como tudo não foi de uma forma e de como tudo poderia ter sido. E como tudo poderia ter sido? Eu poderia não ter sido um completo idiota e deixado de lado as coisas com as quais eu mais importava. Eu poderia não ter sido tão ingênuo a ponto de não perceber as coisas que eu tinha. Talvez tudo fosse, sim, diferente, se eu tivesse escolhido essas opções. Mas não foi assim. Passou, acabou.
Eu já não tinha mais certeza de nada na vida. Já não conseguia pensar em nada que me trouxesse conforto. Eu não conseguia voltar minha atenção a nada ao meu redor. Tudo parecia fazer parte da trilha sonora de algum filme estranho, no qual crianças brincavam, carros buzinavam e pessoas conversavam. Nada mais tinha tanta importância assim.
O que acontece quando você age dessa maneira? Eu não sou bom com estatísticas, mas no meu caso, aconteceu o seguinte: em vez de me afogar em lágrimas, em álcool ou de continuar me afogando em pensamentos, eu me afoguei na banheira do meu apartamento. Senti cada segundo daquilo. Não tinha ideia de quanto tempo uma vida levava para perecer sob a água. Mas enfim, pude ouvir o silêncio, pude sentir o vazio e ver a escuridão. Então não senti mais nada.
A não ser…
Paz.

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